sexta-feira, agosto 31, 2007

Só pra voltar a funcionar...

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Um aspecto triádico

Primeiro, você faz. Depois, compreende o que faz. Por fim, faz o que quiser.

Sejam asanas, pranayamas, mudra, arte, esporte, cultivo, cultura... os três aspectos da liberdade irrestrita são o fazer, o conhecer e o querer.

É muito fácil confundir o querer com os condicionamentos culturais. "Quero ver TV." "Quero trocar de carro." Quer mesmo ou quer algo que resulta disso? Ou, ainda, quer mostrar algo para alguém? As necessidades fisiológicas também causam confusão. "Quero fazer xixi." "Quero comer." Quer mesmo ou é uma tendência da natureza? E também é muito cômodo "querer" algo que lhe disseram que seja bom querer. "Quero fazer caridade." "Quero fazer MBA." Quer mesmo ou alguém quer por você?

Conhecer também confunde. Muitas vezes, temos informação, temos nomes para as coisas e temos relações conceituais e dedutivas entre esses nomes. E achamos que as coisas são o que dizem seus nomes. Contentamo-nos com conhecer os nomes.

Estas confusões poluem o puro fazer. Fazer por fazer, fazer o que está aí para ser feito. Apenas fazer. Não o fazer para alcançar um resultado. Não o fazer por obediência. Não para mostrar ao outro, não para compensar uma culpa, não recompensar um feito. Apenas fazer e observar.

Fazer e observar. Até conhecer o fazer em sua essência. Este conhecimento é o que leva à independência absoluta, à liberdade irrestrita.

Da mesma maneira, observar os quereres também revela o verdadeiro querer. Mas para isso é preciso querer e não fazer - pelo tempo que for necessário, segundos ou anos - até ter observado o puro querer.

Faça o que quer. Saiba o que faz. Faça o que fizer, saiba o que quer.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Saúde, conforto e cultivo

Há doenças da modernidade e ultra-modernos remédios e tratamentos, ao lado de diversos outros, mais antigos, até ancestrais, ainda em uso ou de volta a ele. No entanto, a modernidade não é, necessariamente, incompatível com a saúde. O que é incompatível é a posse e a propriedade, como valores motivadores das ações humanas.

Desembaraçada dessas ataduras, a vida prossegue em direção à eternidade e à bem-aventurança. O conforto isento de posse e propriedade é constante. O prazer, mais doce e mais intenso, além de ser escolha, não falta dela. A saúde é o estado fundamental resultante do conforto, do bem estar e do prazer de viver.

Meu conforto e meu prazer estão em mim, em todos os aspectos do meu ser. Nada fora de mim pode motivá-los ou melhorá-los. Não dependo de nada de fora, a não ser um ambiente rico em vida igual à minha vida. Plantas, frutas e flores, animais, terra, ar, água e sol. E não em doses simbólicas, mas em franco processo de transformação. Vida em processo contínuo e intenso. Isto é saúde.

Com este estado de ser, meu conforto e meu prazer se mantêm mesmo na relação com os sistemas culturais, indevidamente tachados, por vezes, de artificiais. Não dependendo deles para meu bem estar, posso tirar deles apenas o suficiente para contrabalançar as pressões impostas por eles mesmos. Sem a pressão da posse e propriedade, e suas pseudo-necessidades derivadas, os ambientes tanto orgânicos quanto culturais podem manter-se em processos estáveis, mais propícios ao surgimento de novas e ricas relações - que poderão potencializar os processos e os ambientes em que ocorrem ou até transformá-los em algo diverso, com novas formas de organização biológica e cultural. A vida floresce.

É esse ambiente que eu escolhi cultivar. Apenas cultivar aqui dentro, com a certeza de frutos doces, sem ansiar por eles, sem ser dono deles. É esse ambiente o que eu ofereço à minha filha por nascer, que faz parte do meu ser.

Se a vida contemporânea aponta para o fim inexorável da vida, ainda que seja daqui a muitas gerações, então não faz o menor sentido. Mesmo sendo resultante da mesma cadeia de eventos que nos legou as características com que nos distinguimos das outras formas de vida, e pelas quais podemos fazer escolhas, não faz sentido.

Por isso busco outra forma de viver. Não quero combater nada à minha volta, nem isolar-me. O processo da vida, seja como for, não pode ser detido. Se tenho de me relacionar com o mundo que é assim como é e não vai mudar só porque eu pedi, não há problema. Trabalho, respeito a ordem instituída e pago os tributos. Mas não vivo com essas motivações, nem da posse e propriedade, nem de seus prazeres e confortos, nem das instituições que os perpetuam. Vivo com a certeza de que a transformação está em curso e, neste processo, os frutos das minhas escolhas serão saborosos.

quarta-feira, março 09, 2005

Brahmacarya

Sobre este assunto, tenho a dizer que esta propalada repulsa ao corpo e ao contato físico é uma acepção indevida. Repulsa (dvesa) é simplesmente o inverso do apego (raga) - ou seja, apego ao oposto.

Brahmacarya significa não-indulgência. E não, como se tornou comum crer, restrição. Indulgência é condescendência, é tolerar algo do outro. O outro, neste caso, sendo tudo aquilo que é externo ao Ser - especificamente, corpo e mente.

O que eu leio neste sutra (II-40) do Patanjali é que não deve haver subserviência do Eu às reivindicações do corpo - e nem, tampouco, às da mente. O tal contato que se quer evitar é a identificação do Eu com o corpo e com a mente. A impureza que se quer evitar é a condição de distração em que nos deixamos (nosso Eu Supremo) levar pelos ditames do corpo e da mente.

Mas o meu corpo é intrinsecamente impuro, pois come e respira, excretando e exalando CO2. É orgânico. Então não é o contato físico que irá sujá-lo. Sem contato físico não há perpetuação da espécie, e com isso não haveria mais possibilidade de evolução espiritual com a conhecemos - ou queremos conhecer.

Da mesma maneira, se eu isolasse minha mente, não teria como comunicar minhas experiências, sejam mundanas ou espirituais. E sem comunicação, não haveria cultura, não haveria transmissão de conhecimentos, não haveria progressão da espiritualidade.

O EU permanentemente identificado apenas Consigo Mesmo usufrui do corpo e da mente que lhe foram atribuídos para reconhecer o Ser Supremo em todos os elementos, enquanto procura mantê-los - corpo e mente - bem estabelecidos em suas respectivas naturezas, aptos a realizar suas funções e apenas elas. Não pode se furtar ao Dharma. Mas pode se libertar do Karma, agindo acima dos instintos e desejos, percebendo além das projeções mentais.

Isto é brahmacarya.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Qualidade de vida

Em resposta a um pedido de ajuda para um trabalho, mandei o seguinte.



Oi Aline

...

Agora sobre Yoga e qualidade de vida e mulheres, bom, disposição eu tenho, talvez não tenha tanto o que dizer.
Sou estudante há poucos anos e professor há menos de um.

De qualquer maneira, vou falar um pouco para dar margem a você dizer o que quer saber. De maneira bem ampla e geral.

Yoga é um sistema filosófico e espiritual (não religioso, embora possa ser somado a diversas religiões). Uma das facetas deste sistema - que nem todas as escolas assinam embaixo - é o trabalho com o corpo para que este seja um bom instrumento de percepção e contato com a realidade exterior, e não um empecilho à felicidade. Coisas como flexibilidade, resistência, força, tônus, equilíbrio dos sistemas glandular, circulatório, respiratório, nervoso etc., são apenas a maneira ocidental de ver as coisas (usando aqui ocidental num sentido um tanto depreciativo, mas na verdade nós ocidentais não somos burros, apenas temos uma cultura que relegou determinados aspectos da vida ao esquecimento). Ou seja, o yogin e a yogini (é o feminino) praticam Yoga porque o corpo são é um instrumento útil em suas buscas. Não pelo "valor intrínseco" que se possa atribuir a esta saúde.

Qualidade de vida, então, é apenas um reflexo. Olhando-se por outro lado, o funcionamento perfeito do organismo é o natural, e não uma meta a ser buscada.

Do ponto de vista do discernimento ocidental (de novo), o que o Yoga trás é uma melhoria geral. Vamos pegar apenas um fio da trama e puxar pra ver o que sai (de improviso). O Yoga tonifica os músculos, colocando o corpo em posturas (cotidianas, sentadas ou de pé) mais adequadas à sua estrutura. Assim, sobrecarega-se menos o esqueleto - e daí, ainda que a mulher idosa tenha tendência à osteoporose, a perda de cálcio que ela tiver vai caber perfeitamente dentro da margem de tolerância de que o corpo é capaz, quando não se lhe submete a outras sobrecargas.

Ainda no fio da melhoria de postura decorrente do tônus muscular, evitamos os "torniquetes" que prenderiam a circulação periférica, permitindo melhor afluência de nutrientes a todos os tecidos - desde a pele até as glândulas, passando inclusive pelos alvéolos pulmonares. Juntando essa melhor nutrição dos alvéolos com a melhor utilização dos músculos respiratórios e ainda com a não retenção de sangue na circulação periférica por tempos demasiado longos, temos a melhor oxigenação dos tecidos, que juntamente com a nutrição, os deixarão sempre mais aptos a realizar seus respectivos trabalhos. Da melhor nutrição e oxigenação de todos os tecidos, poderíamos focar no processo digestivo e ver que a nutrição melhora pela melhor absorção de nutrientes - e temos aqui dois círculos virtuosos, o respiratório e o nutricional. Mas vamos ficar discretos e seguir apenas aquela gotinha de sangue mais oxigenada e nutrida que vai passar lá pelo cérebro. Não preciso nem dizer que todas as funções ligadas ao cérebro ficam beneficiadas, não? Raciocínio, percepção através dos sentidos - os 5 normais mesmo, sem nada sobrenatural - equilíbrio, ativação muscular (olha outro círculo aqui), enfim... um grande etcetera.

Bom, isso tudo porque seguimos apenas um fio de uma das partes do Yoga, que trata do corpo. Poderíamos pensar adestramento do intelecto e da razão, no desamortecimento e refinamento dos sentidos. E isso tudo é um improviso informal - mas com muito prazer.

Se quiser alguns nomes para pesquisar, no Brasil mesmo tem gente boa que se dedicou a adpatar o grande Yoga às "modestas necessidades" de saúde de nosso povo, segundo nossa cultura, judaico-cristã e científico-racionalista. José Hermógenes e Nilda Fernandes são dois. Devo dizer que nessa adaptação à pequenez de espírito, muito se perdeu, mas há bons trabalhos desses dois.

Tem um ocultista americano que incluiu entre seus estudos o Yoga, e fez uns bons livrinhos pequenos mas bastante interessantes sobre diversos aspectos da filosofia yogi. Seu nome, ou pseudônimo para os livros sobre Yoga é Yogue Ramacháraca (assim foi publicado em português). O que fala sobre o corpo e a saúde é "Hatha Yoga - ou filosofia yogue do bem estar físico".

Só pra não criar confusão: Hatha Yoga é todo o conjunto de práticas físicas do Yoga. Hoje em dia, tem escolas que se autodenominam Hatha Yoga, como se as outras escolas, linhas e modalidades não o fossem. São sim. Quem faz "asana" (posturas corporais) faz Hatha Yoga. Mas tudo bem, alguns se acham mais perfeitos no seguimento da tradição, outros se acham mais perfeitos numa suposta evolução dela.

...

Maurício

domingo, dezembro 05, 2004

Karmayoga na Triká

Ao ouvir falar em karmayoga, muita gente associa imediatamente alguns conceitos que foram bastante repetidos nos últimos milênios, mas não completamente explorados. Não pretendo entrar na complexidade deste assunto neste momento, mas apenas evidênciar o que significa o termo na Triká. Entretanto, para isso, convido-o a uma rápida análise de um erro costumeiro na sociedade em que vivemos e de uma contradição metodológica.

Karma significa ação. Ação pura. Pura e simplesmente ação. Normalmente, quando pensamos em ação, logo nos vêm à mente outros conceitos relacionados, como o agente, as motivações e os efeitos. Mas estes não estão incluídos na palavra karma, ao pé da letra.

A primeira e mais grosseira confusão vem do viés ocidental que a palavra carrega. Vem da idéia de que karma seja uma pontuação obtida em vida terrena através de ações boas, más e neutras. Por causa desta idéia, algumas pessoas acham que karmayoga possa ser a prática de boas ações para aumentar o resultado positivo (ou diminuir o negativo) daquela pontuação.

Esta confusão é facilmente desfeita pela definição mais comum dentro de um contexto não enviesado, sem mesmo entrar nas sutilezas da definição de karma: karmayoga é "ação desinteressada, desapegada dos frutos dela". Ouve-se muito esta colocação quando se fala em caridade (quando não motivada pelo erro grosseiro supra citado) e em organizações não-lucrativas, o que não está de todo errado. Mas não é karmayoga e sim renúncia, que é uma outra prática, completamente distinta (e que pode até ser feita, incorretamente, com objetivos pessoais; o assunto renúncia também causa diversas confusões e será discutido opotunamente).

Mas já aqui pode-se antever uma contradição, gerando angustia e frustração, pois como se pode desapegar dos frutos da ação, se ao se mencionar (ainda que mentalmente) este conceito, a primeira coisa que vem à mente é que toda ação tem conseqüências - frutos - e, em seguida, uma enumeração destas mesmas? E ainda que não se pense nisto no momento da execução, pensou-se no momento da decisão - até porque é justo que as ações sejam pré-avaliadas para que não causem, por falta de previsão, males desnecessários ao Ser, seja na forma de outros indivíduos, animais e objetos materiais, seja na forma de nós mesmos. E também é contraditório o fato de que toda ação é motivada pela vontade, Suprema ou terrena, com objetivos, bem ou mal, determinados.

Ou seja, o mero conhecimento da definição nos impede de praticar corretamente o karmayoga. Seria este uma benção reservada àqueles que nunca lhe ouviram o nome? Ou, alternativamente, agimos - o que é um aspecto integrante do Ser - sem a devida concorrência da vontade e do conhecimento - também aspectos fundamentais do Ser.

Para vencer esta contradição, a Triká estabelece a prática do karmayoga em função da tríade fundamental: os níveis do Supremo, do Adepto e do Terreno do Ser; e a partir do conceito mais puro: karmayoga é yoga da ação, ou yoga na ação; ação pura; e yoga puro: atenção focalizada.

O objetivo terreno é aquele da definição conceitual, intelectual. Mas este caminho é contraditório, como mencionado acima. A Trika propõe a prática do karmayoga nos níveis do Adepto e do Supremo, posto que no do Terreno, a profundidade de realização do karmayoga é limitada pela profundidade conseguida nos outros níveis.

Inicia-se pela prática no nível do Adepto. Deve-se praticar com auxílio do silêncio interior. No início, isto significa silêncio verbal também - Mauna, outra prática a ser abordada futuramente - além de ser possível apenas em atividades passivas, como deixar-se levar por um ônibus, ou automáticas, como caminhar. Caminha-se em silêncio. Viaja-se de ônibus em silêncio. Alimenta-se em silêncio. Põe-se e permanece-se em ásanas em silêncio. Além do silêncio verbal, também o psíquico - mental e emocional. Apenas observa-se e contempla-se o Ser Supremo, conforme instruído pelo seu Mestre. Esta prática é muito mais poderosa do que a da meditação isolada, ainda que diária e profunda, mas em meio a um dia completo de não observância deste silêncio. Vai, inclusive, dar maior firmeza e solidez à pratica da meditação, potencializando-a profundamente. Após algum tempo de prática, ações cada vez mais complexas poderão ser realizadas na forma de karmayoga.

Quando está terminada a ação (ou seqüência de ações) realizada desta forma e não há engajamento subseqüente em outra ação, pode-se entrar ou não no nível Supremo deste yoga na ação, ao sentar-se para meditar. A possibilidade depende da espontaneidade e continuidade ininterrupta da prática anterior. Não há como forçar a entrada no nível Superior. Ela ocorre naturamente em função da prática, decorre dela. Se não ocorrer, deve-se praticar ainda mais e melhor, no nível yogi.

Assim como o nível Supremo é decorrente do anterior, o nível Terreno será decorrente deste e, então, poder-se-á até mesmo conversar e gargalhar permanecendo-se consciente do Ser. E então será fácil realizar qualquer ação terrena, com a atenção focalizada no Ser, estabelecido no Ser, desapegado de frutos e conseqüências. Novamente, se isto não ocorrer naturalmente, deve-se praticar mais no nível de prática - ou seja, no nível do Adepto, já que no Supremo não há o que se praticar.



baseado em trecho de [LAKSH/KS]

Escolas da Triká - uma introdução

O Šaivismo da Caxemira é um sistema filosófico também conhecido por Triká, palavra que remete ao caráter triádico presente em muitos dos conceitos deste sistema. É uma filosofia sem qualquer restrição de etnia, credo, casta ou qualquer outra categorização, com o objetivo de elevar o Ser humano da individualidade à uinversalidade. Há quatro escolas (ou sub-sistemas) cuja união forma o todo do sistema. Todas elas baseiam-se nas mesmas escrituras tradicionais, chamadas ágamas, mas cumprem seus objetivos por meios diversos. A seguir, uma breve descrição de cada uma delas.

Pratyabhijña

É a escola do auto reconhecimento por excelência. A palavra significa precisamente "percepção e reconhecimento espontâneos do Si mesmo". Não há meios ou práticas neste sistema. Deve-se apenas perceber-se e reconhecer-se. Não importa quem seja, se um santo, um yogi, um comum ou um devasso, pode-se reconhecer sua própria e íntima Natureza sem ter que ir a lugar algum ou fazer qualquer coisa. Tal iluminação se dá por obra e graça de seu Mestre e assemelha-se a diversas situações cotidianas nas quais percebemos e reconhecemos algo que sempre esteve em nossas vistas mas que nunca havia sido enxergado, como quando somos apresentados à uma pessoa cuja fama já nos era conhecida e que estava parada ao nosso lado na mesa do café. Quando ocorre este alvorecer, o indivíduo não se torna divino: ele percebe que sempre o foi.

Kula

Nesta escola, a pedra fundamental é a totalidade, tradução de seu nome. Deve-se reconhecer a totalidade do universo em cada uma de suas partículas, em qualquer nível de granularidade e sutileza. Em cada pessoa ou animal, em cada grão de areia, em cada átomo ou quark, em cada sensação e em cada pensamento. E também deve-se reconhecer cada coisa na totalidade. O Ser Supremo é o todo e é cada parte dele. Através desta prática, aprende-se a se perceber em qualquer estado, do mais grosseiro ao mais sutil, e a se manter consciente do Ser Supremo mesmo a qualquer transição.

Krama

O sistema Krama não reconhece os caminhos dos dois sistemas anteriormente mencionados, procedendo por passos sucessivos e entendendo que desta forma a percepção desenvolvida é firme e estável. Naqueles dois sistemas, a percepção está além das noções de tempo e espaço desde o início, mas neste ela começa a ser desenvolvidade no contexto dessas noções, embora vá levar o praticante ao mesmo estado. No início, desenvolve-se a percepção refinada dos objetos, progredindo-se então para o entendimento de que a percepção não se dá no local e no tempo do objeto, mas sim em sua mente; e, a seguir, que tal percepção não é, senão, a identificação do Ser Supremo com o objeto - Ser Supremo que reside em seu íntimo e também no objeto.

Spanda

Spanda significa movimento. Segundo esta escola, a percepção fundamental é a de que nada pode existir sem movimento, desde os objetos materiais até as construções mentais de um indivíduo humano. É um sistema essencialmente prático e é através da execução de práticas meditativas, devocionais e comportamentais que se desenvolve o reconhecimento do Ser Supremo na percepção dos movimentos do universo.



baseado em trecho de [LAKSH/KS]

Caminho

Yoga é um caminho para o conhecimento de Si mesmo.

É mais do que um sistema conceitual ou uma prática. É um conjunto deles. Cada escola adota um sistema conceitual e práticas de diversas naturezas, visando dar aos seus adeptos os elementos necessários e suficientes para percorrer o caminho. Mas existem vários sistemas e subconjuntos de práticas, alguns deles contraditórios entre si, mas vários bem estabelecidos em termos de tradição e observação empírica de resultados.

Os sistemas conceituais organizam e associam as percepções obtidas e armazenadas durante a vida e as práticas, com o objetivo de despertar no adepto o conhecimento supra-racional, intuitivo do seu mais íntimo Eu, o Ser Supremo.

As práticas, sejam elas físicas, rituais, sensoriais, devocionais, atitudes e ações, de todos os tipos, criam em torno do adepto um ambiente repleto de elementos de percepção para desenvolver seus sentidos, ilustrar o sistema conceitual adotado por ele e impulsioná-lo no percurso do caminho.