quarta-feira, março 09, 2005

Brahmacarya

Sobre este assunto, tenho a dizer que esta propalada repulsa ao corpo e ao contato físico é uma acepção indevida. Repulsa (dvesa) é simplesmente o inverso do apego (raga) - ou seja, apego ao oposto.

Brahmacarya significa não-indulgência. E não, como se tornou comum crer, restrição. Indulgência é condescendência, é tolerar algo do outro. O outro, neste caso, sendo tudo aquilo que é externo ao Ser - especificamente, corpo e mente.

O que eu leio neste sutra (II-40) do Patanjali é que não deve haver subserviência do Eu às reivindicações do corpo - e nem, tampouco, às da mente. O tal contato que se quer evitar é a identificação do Eu com o corpo e com a mente. A impureza que se quer evitar é a condição de distração em que nos deixamos (nosso Eu Supremo) levar pelos ditames do corpo e da mente.

Mas o meu corpo é intrinsecamente impuro, pois come e respira, excretando e exalando CO2. É orgânico. Então não é o contato físico que irá sujá-lo. Sem contato físico não há perpetuação da espécie, e com isso não haveria mais possibilidade de evolução espiritual com a conhecemos - ou queremos conhecer.

Da mesma maneira, se eu isolasse minha mente, não teria como comunicar minhas experiências, sejam mundanas ou espirituais. E sem comunicação, não haveria cultura, não haveria transmissão de conhecimentos, não haveria progressão da espiritualidade.

O EU permanentemente identificado apenas Consigo Mesmo usufrui do corpo e da mente que lhe foram atribuídos para reconhecer o Ser Supremo em todos os elementos, enquanto procura mantê-los - corpo e mente - bem estabelecidos em suas respectivas naturezas, aptos a realizar suas funções e apenas elas. Não pode se furtar ao Dharma. Mas pode se libertar do Karma, agindo acima dos instintos e desejos, percebendo além das projeções mentais.

Isto é brahmacarya.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

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5/10/05 12:49 

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