quarta-feira, dezembro 21, 2005

Um aspecto triádico

Primeiro, você faz. Depois, compreende o que faz. Por fim, faz o que quiser.

Sejam asanas, pranayamas, mudra, arte, esporte, cultivo, cultura... os três aspectos da liberdade irrestrita são o fazer, o conhecer e o querer.

É muito fácil confundir o querer com os condicionamentos culturais. "Quero ver TV." "Quero trocar de carro." Quer mesmo ou quer algo que resulta disso? Ou, ainda, quer mostrar algo para alguém? As necessidades fisiológicas também causam confusão. "Quero fazer xixi." "Quero comer." Quer mesmo ou é uma tendência da natureza? E também é muito cômodo "querer" algo que lhe disseram que seja bom querer. "Quero fazer caridade." "Quero fazer MBA." Quer mesmo ou alguém quer por você?

Conhecer também confunde. Muitas vezes, temos informação, temos nomes para as coisas e temos relações conceituais e dedutivas entre esses nomes. E achamos que as coisas são o que dizem seus nomes. Contentamo-nos com conhecer os nomes.

Estas confusões poluem o puro fazer. Fazer por fazer, fazer o que está aí para ser feito. Apenas fazer. Não o fazer para alcançar um resultado. Não o fazer por obediência. Não para mostrar ao outro, não para compensar uma culpa, não recompensar um feito. Apenas fazer e observar.

Fazer e observar. Até conhecer o fazer em sua essência. Este conhecimento é o que leva à independência absoluta, à liberdade irrestrita.

Da mesma maneira, observar os quereres também revela o verdadeiro querer. Mas para isso é preciso querer e não fazer - pelo tempo que for necessário, segundos ou anos - até ter observado o puro querer.

Faça o que quer. Saiba o que faz. Faça o que fizer, saiba o que quer.

1 Comments:

Blogger Adriano Quadrado said...

Maurício, legal. Legal que é amigo do Edu, que ele se lembrou de indicar meu site e que vc gostou. Queria comentar melhor sobre o site, yoga etc. Me manda um email porque não achei sei endereço no meu site. O meu é adriano@quadrado.com.

22/12/05 11:45 

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